terça-feira, 24 de junho de 2008

AGUENTAR O ESFORÇO FÍSICO

A actividade física regular traz, como nos é constantemente recordado, muitos benefícios, entre eles a redução do risco de doença coronária, obesidade e osteoporose. Sentimo-nos melhor e ficamos com melhor aspecto.
Quase todas as pessoas que praticam exercício físico com regularidade, e muitas que o praticam intermitentemente, sofrem de um qualquer tipo de lesão por repetição. Nos atletas de fim de semana é geralmente um problema de "exercício a mais sem aquecimento". Nos atletas de alta competição, é " exercício a mais, demasiado prolongado e demasiado frequente ". O stress constante pode fracturar ossos, em geral os do pé e da perna, como se vê pela frequência com que se manifestam em bailarinos e atletas de fundo. Abusar dos músculos pode levar à sua inflamação, produzindo inchaço e dor. As lesões por fricção ocorrem quando os tendões deslizam dentro das baínhas em que estão contidos, ou contra os ossos por cima dos quais passam, produzindo tendinite nos joelhos e no tendão de Aquiles.
A longo prazo, o desgaste constante produzido pelo exercício físico intenso e prolongado pode dar origem a osteoartrite, doença crónica caracterizada pela degeneração das articulações que causa dor e rigidez. É bom não esquecer que o corpo humano não foi concebido para ser usado como uma máquina de correr. O stress também afecta o sistema imunitário, pelo que os atletas profissionais são mais susceptíveis a infecções, o que compromete o seu desempenho. As fundistas e as bailarinas podem deixar de ter menstruação, ficando nesse caso o efeito benéfico do exercício nos seus ossos mais do que anulado pelos reduzidos níveis de estrogénio. Isso explica o que parece um paradoxo: muitas jovens que praticam exercício físico intenso e regular sofrem de osteoporose, embora o exercício moderado possa desacelerar a perda óssea em mulheres mais velhas. Em muitas jovens atletas, por exemplo as ginastas, o exercício físico também retarda a puberdade.
O exercício físico intenso, pode causar a perda de proteínas nos músculos esqueléticos, provavelmente devido a lesões mecânicas microscópicas nas próprias células musculares. É bastante habitual. Nalguns casos, porém, a quantidade de proteína perdida é tão elevada que chega a pôr a vida em risco. Sendo assim o exercício físico praticado com moderação é altamente benéfico. Talvez nunca sejamos os mais rápidos, nem os mais fortes, mas provavelmente teremos uma vida activa durante muito mais tempo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

DORES NA COLUNA VERTEBRAL

Locais habituais das dores na coluna vertebral.
Se os músculos podem causar sofrimento, a origem das dores está localizada nos ligamentos e cápsulas das articulações zigapófises e na combinação disco-ligamentos próximos dos discos. Ligamentos ricamente inervados, cápsulas articulares com uma inervação muito abundante, músculos inervados, todas essas estruturas são potencialmente origem da dor.
Locais de conflito mais frequentes
Entre a pelve e a coluna vertebral, as articulações sacro ilíacas atenuam as pressões em rotação que se manifestam durante a marcha, mas parece que elas não são solicitadas na posição sentada. A zona de transição lombo sacra é muito exposta mecanicamente, pois o segmento L5-S1 é o mais móvel de todos em flexão e extensão no nível lombar. Na posição sentada, o sacro, dependente da pelve, é bloqueado em retroversão.
Rigidez muscular, rigidez ligamentar
O jogo combinado entre a rigidez que se deve aos ligamentos e a estabilidade que se deve à tensão muscular é frequentemente subtil e não é fácil distinguir uma da outra. O conhecimento da existência do mecanismo que rege a interrupção da amplitude é um pré-requisito indispensável análise.
Músculos e rigidez modelável da coluna vertebral
Se permanecemos sentados durante muito tempo, os músculos modificam o seu estado de tensão e a posição geral da coluna vertebral é modificada. Resistir a que as costas se curvem, necessita de um esforço consciente, voluntário, de contracção e, neste caso, os músculos das costas e do tronco são estruturas automatizadas pouco controladas pela vontade.
No funcionamento normal, os músculos do eixo ( tronco e pescoço ) fornecem uma estabilidade a partir do qual se organizam os movimentos de grande amplitude, realizados pelos membros inferiores ou superiores.
Necessidade educativa de uma sociedade tele visual e digital
O ensino moderno foi ienvaido pelas tecnologias digitais. Podemos prever que, no futuro, os estudantes provavelmente passarão mais horas na posição sentada. A lombalgia da criança e do adolescente, é uma preocupação e o mobiliário escolar tem sido o culpado. O ritmo de crescimento da criança pré-puberdade e pós-puberdade, bem como escolher e utilizar as mesas e cadeiras usadas pela criança na escola e em casa, é de extrema importância. É claro que isto é aplicável a todos os seres humanos nos seus empregos, em casa e nas mais diversas actividades diárias.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

TREINO DE RESISTÊNCIA

Adicionando simples rotinas explosivas às secções de treino, é possível produzir importantes ganhos na performance para atletas de resistência.
Todo este tipo de treino deve ser desenvolvido gradualmente. É claro que, para os benefícios desse tipo de treino sejam alcançados, as secções de treino deverão de ser entre os 20 e os 60 minutos por secção. Na fase inicial três vezes por semana em dias não consecutivos é a melhor escolha. Numa fase mais avançada, aumentar até 5 dias por semana. A intensidade dos exercícios para que o maior benefício seja alcançado, deve estar numa faixa de 50% a 70% do Vo2Max. O controle da frequência cardíaca é importante.
Rotinas explosivas: 35 a 40 minutos que consistem, saltos normais, com obstáculos, saltos e agachamento sem peso externo, utilizando o peso do próprio corpo, bem como corrida tipo jogging e exercícios de força. A exemplo: semi agachamento, puxador dorsal, extensão e flexão dos membros inferiores, etc...de 2 a 3 séries de 8 a 10 repetições.

terça-feira, 27 de maio de 2008

A RESPIRAÇÃO NO SER HUMANO

Porque razão a respiração nos seres humanos é regulada principalmente pelo dióxido de carbono e não pelo oxigénio?
A resposta parece ser que nós evoluímos ao nível do mar e, do ponto de vista da evolução, só muito recentemente nos aventurámos a subir as montanhas. Ao nível do mar, a concentração de oxigénio nos pulmões é superior à necessária, mesmo que o volume respiratório diminua substancialmente. Por outro lado, o ritmo respiratório exerce um efeito pronunciado sobre a concentração de dióxido de carbono nos pulmões e tecidos e é, por conseguinte, da maior importância fazer o volume respiratório corresponder à concentração do gás do corpo. Daí o dióxido de carbono agir como principal controlador da respiração.
Quando respiramos mais depressa, expelimos maior quantidade de dióxido de carbono, o que baixa a pressão parcial de dióxido de carbono nos pulmões, deixando mais espaço para o oxigénio. Uma das maneiras óbvias de fazer chegar mais oxigénio aos tecidos seria aumentar a capacidade transportadora de oxigénio do sangue e aí as proteínas são utilizadas como portadores de oxigénio.
O dióxido de carbono é produzido pelo corpo como um subproduto do metabolismo em quantidades consideráveis. Dissolve-se dando origem ao ácido carbónico e a quantidade de gás inspirado é equivalente a 12,5 litros de ácido forte industrial ( ou, mais correctamente, 12,5 moles de iões de hidrogénio ) por dia!!. O dióxido de carbono é transportado pelo sangue dos tecidos onde é fabricado para os pulmões, de onde é expulso para a atmosfera: frequências respiratórias mais elevadas implicam maior quantidade de dióxido de carbono expelido e a redução das concentrações do gás nos alvéolos pulmonares e no sangue. A redução da concentração de dióxido de carbono no sangue que resulta de uma respiração mais rápida tem como efeito a redução da concentração no sangue de ióes de hidrogénio ( também designada redução de acidez do sangue, aumento do pH do sangue, ou aumento da alcalinidade do sangue ). É obvio que a restauração de acidez do sangue seria benéfica nesse caso e essa tarefa é de facto realizada pelos rins.
Quando respiramos mais depressa, expelimos maior quantidade de dióxido de carbono, o que baixa a pressão parcial de dióxodo de carbono nos pulmões deixando mais espaço para o oxigénio. Outra maneira óbvia de fazer chegar mais oxigénio aos tecidos seria aumentar a capacidade transportadora de oxigénio do sangue. Nalguns animais, o oxigénio viaja pelo corpo simplesmente em solução. A quantidade que pode ser transportada desse modo, porém, é muito pequena e a maioria dos animais, incluindo os seres humanos usa as proteínas como portadores de oxigénio.

terça-feira, 20 de maio de 2008

EXERCÍCIO FÍSICO E A FADIGA

A fadiga pode ser o resultado de alterações ocorridas nas próprias células dos músculos. Um mecanismo que obviamente produz perda da força é a incapacidade de equilibrar a energia ( isto é, o ATP ) consumida ao contrair o músculo com a taxa de produção de energia. Mas embora os níveis de ATP caiam de facto durante o exercício físico intenso, nunca se esgotam completamente. As células musculares em que os níveis de ATP descem para zero desenvolvem rigidez, a contractura muscular que causa o endurecimento do corpo após a morte. Por mais intenso que seja o exercício físico, essa rigidez nunca se verifica em vida. Talvez a fadiga deva então ser vista como um mecanismo de defesa que obriga os músculos a parar antes que os níveis da ATP desçam o ponto de pôr em perigo a sobrevivência.
Qual é então a causa da fadiga muscular? Parece que existem dois mecanismos principais, envolvendo ambos os iões de cálcio que desencadeiam a contracção dos músculos. Em resposta a uma contracção prolongada, a quantidade de cálcio que é libertada das reservas intercelulares do músculo desce gradualmente, de modo que a contracção é estimulada de forma menos eficaz. Um outro mecanismo parece ser responsável pela fadiga produzida por contracções curtas e repetidas. Neste caso, as reservas do músculo cansam-se de produzir cálcio. Por que razão isso acontece ninguém sabe ao certo, mas pensa-se que se prende com a acumulação de produtos derivados da síntese metabólica que ocorre durante a actividade física intensa. Esses produtos também inibem a força com a qual as proteínas contrácteis produzem vigor. Quando o glicogénio dos músculos se esgotam, há exaustão em provas de resistência, sentimo-nos sem forças e as nossas pernas parecem de chumbo. O metabolismo da gordura não consegue fornecer ATP ao mesmo ritmo que a oxidação do glicogénio dos músculos.
A subida da temperatura do corpo também causa fadiga. Para terminar, a fadiga e a falta de força muscular também ocorre quando há lesões nos tecidos. O músculo exercitado em excesso fica inflamado, inchado,o que reduz a sua capacidade de gerar força. Por estranho que pareça, o factor que limita o consumo de oxigénio pelos músculos não é a capacidade da árvore respiratória, ou a aptidão dos músculos para extrair oxigénio do sangue; é a taxa à qual o coração bombeia sangue para todas as partes do corpo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

A GRÁVIDA E A ACTIVIDADE FÍSICA - PARTE 1

Modificações nas grávidas
A gravidez traz algumas modificações indesejáveis ao organismo da mulher, que acabam por atingir, de certa forma, o seu estado de humor. Além de ficarem mais pesadas, com a coordenação debilitada e menos ágeis que o normal, a auto estima diminui. Nesta sentido, a actividade física pode ajudar na formação de uma imagem corporal positiva, com o objectivo de lhe proporcionar melhoras na auto estima e na qualidade de vida, principalmente para as mulheres que já faziam parte de um programa de exercícios.
Modificações básicas durante a gravidez
" Aumento do útero até 1000 vezes (o seu peso pode chegar a 6 kg)"
" Com o crescimento do útero, há relaxamento dos ligamentos intercostais e a subida do diafragma, levando à expansão da caixa torácica "
" Hiper relaxamento ligamentar "
" Instabilidade das articulações dos joelhos e dos tornozelos "
" Maior mobilidade da coluna e do quadril "
" Projecção do corpo para a frente, com distensão dos músculos abdominais devido ao aumento do volume uterino "
" Diminuição da passada "
" Para manter o equilíbrio, a grávida aumenta a base de sustentação através do afastamento dos pés. Esta posição acentua a lordose lombar, a qual é compensada pelo aumento da cifose torácica acompanhada da rotação dos ombros e projecção da cabeça para a frente ".
Conclusão
O número de mulheres grávidas que participam em actividades físicas, tem aumentado em cada ano, por isso é cada vez mais importante estabelecer orientações básicas e prudentes de exercício durante a gravidez. A falta de literatura tem preocupado médicos e profissionais de Educação Física, principalmente no que toca ao comprometimento da diminuição sanguínea da placenta. A actividade física regular para a grávida, representa um papel importante na manutenção da capacidade funcional, do peso corporal e do bem estar geral.
A actividade física de intensidade leve a moderada é considerada segura e eficiente para grávidas. Todavia há inúmeras recomendações quanto à sua prática. Mulheres fisicamente activas durante a gravidez, tem mais facilidades de melhorar a sua condição física após o parto.
É verdade que existem vários relatos de atletas que foram campeãs logo após o nascimento dos seus filhos. Outro factor interessante é a comprovação de que os exercícios, podem ajudar o trabalho de parto e, se todos os cuidados necessários forem tomados, a grávida pode desfrutar de todos os benefícios do exercício.
Referências:
American College of Obstetricians and Gynecologists - 1994

A GRÁVIDA E A ACTIVIDADE FÍSICA - PARTE 2

Ponto de vista.
Vários estudos relatam a escassez de trabalhos sobre a eficiência e a segurança da actividade física para grávidas, principalmente sobre o bem estar fetal e a circulação materna. Em parte, deve-se à grande dificuldade de registar com precisão os movimentos cardiográficos durante o exercício, fazendo com que a maioria dos estudos seja realizada durante a recuperação após o exercício.O conhecimento do estado de saúde da grávida é muito importante para que um programa de exercícios possa ser bem elaborado e sucedido. Por exemplo, existem alguns casos em que a actividade física pode ter uma contra indicação absoluta, para as portadoras de diabetes tipo I, em casos históricos de dois ou mais abortos espontâneos, gravidez múltipla, tabagismo e ingestão excessiva de álcool. As contra indicações relativas incluem a anemia, histórico de trabalho de parto prematuro, obesidade, diabetes tipo II e condicionamento físico muito abaixo do recomendável ( antes da gravidez - sedentarismo ). No caso de grávidas saudáveis, há estudos que apoiam a actividade física ( leve a moderada ), entretanto algumas precauções devem ser tomadas, entre elas: a obtenção de autorização médica e o conhecimento das alterações potencialmente perigosas que podem surgir durante o exercício.Principais efeitos agudos do exercício na grávida" Redução do fluxo sanguíneo para o útero ( o sangue é desviado para os músculos activos ), podendo levar à hipoxia fetal. Tal redução está directamente relacionada à intensidade e duração do exercício"." Elevação acentuada da temperatura interna, que geralmebte ocorre em exercícios aeróbicos prolongados, ou actividades físicas sob condições de stress e calor"." Redução da disponibilidade de hidratos de carbono para o feto, pois o metabolismo materno passa a utilizar maior quantidade deste substrato, contudo esta afirmação necessita de maior comprovação"." Possibilidade de aborto durante o primeiro trimestre"." Risco de indução ao trabalho prematuro de parto".Recomendações quanto à prática de actividades físicas para grávidas sem factores de risco adicionais- Evitar permanecer muito tempo de pé (imóvel), devido à possibilidade de dores nas costas, consequência do esforço escessivo das fáscias musculares.- Qualquer exercício com risco de trauma na região abdominal deve ser evitado.- Mulheres que se exercitam durante a gravidez, devem ter especial atenção com a sua dieta.- Evitar exercícios vigorosos.- Durante os exercícios aeróbicos, deve-se observar a grávida para adequar melhor a sua intensidade de esforço ( Teste da fala ).- Interromper o exercício ao mínimo sinal de fadiga.- A prática de exercício deve ser regular ( mínimo recomendado 3 vezes por semana ), sendo a intensidade de leve a moderada.- Exercícios sem suporte do peso corporal, são os mais indicados ( hidroginástica, bicicleta estacionária ), devido ao menor impacto, reduzindo assim o risco de lesão.- A actividade física engloba ainda exercícios controlados principalmente de relaxamento e de respiração.- Agachamentos, abdominais em decúbito dorsal e desenvolvimentos em pé, são retirados da grávida a partir do 3º mês.- Intervalos de repouso durante as actividades podem ser úteis para evitar a hipoxia fetal ou stress térmico sobre o feto.- Manter a hidratação para evitar o aumento acentuado da temperatura corporal, prejudicial ao feto.- Actividades físicas no final da gestação, podem aumentar a resposta hipoglicemica materna normal, aumentando a absorção da glicose por parte do músculo esquelético materno. Em condições extremas, podem afectar negativamente o feto.- É importante usar roupas e calçados adequados.- As alterações morfológicas devem ser observadas com a finalidade de adequar os exercícios, evitando problemas para o bem estar materno e fetal.- Apesar da frequência cardíaca e do VO2 servirem de parâmetro de intensidade, há indícios que a escala de percepção de esforço é mais eficiente.- A grávida deve evitar o ganho de peso excessivo.- Incluir no programa de treino, exercícios para os músculos pélvicos, abdómen e diafragma, pois estas partes fortalecidas podem facilitar o parto.